sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

As conversas telefônicas que levaram às cassações de vereadores e suplentes de Blumenau


Nas descrições, o ex-diretor de Obras Conveniadas da Secretaria de Obras Almir Vieira aparece solicitando macadame – material usado para pavimentar ruas – à Companhia Urbanizadora de Blumenau (URB). Conforme a investigação, o material teria sido pago pela URB e direcionado à região solicitada de forma a beneficiar a candidatura de Vieira a vereador.
Nas conversas que envolvem o ex-diretor de Articulação Política da Secretaria de Governo e Articulação Política, Braz Roncáglio, o Ministério Público aponta indícios de uso da máquina pública. Como no dia 17 de maio, quando Braz pede apoio eleitoral a um interlocutor após prometer obras no Distrito do Garcia.
O vereador eleito e ex-diretor administrativo e financeiro da Secretaria de Governo e Articulação Política Célio Dias é acusado de corrupção eleitoral. Numa das ligações, o então diretor de Esporte e Lazer da Fundação Municipal de Desportos (FMD), Claudio Marcelo Zimmermann, promete auxiliar a obtenção de alvarás caso um empresário buscasse votos para Célio.
Contra Fábio Fiedler (PSD) pesam, principalmente, conversas com o ex-secretário de Obras de Blumenau e coordenador de sua campanha, Alexandre Brollo. No diálogo do dia 4 de julho, os dois combinam reunir uma grande concentração de pessoas na assinatura da ordem de serviço da Rua Carlos Rischbieter, no Boa Vista. Ao final da ligação, Fiedler diz que a obra pública renderia até 300 votos.
O relatório final das interceptações sustenta que Robinho, mesmo atuando na Diretoria de Iluminação Pública, encaminhava pavimentações de ruas em troca de votos. Numa ligação entre Almir Vieira e Victor Farias, diretor técnico da URB e apoiador da campanha de Robinho, Victor diz que uma “obra do Robinho” foi embargada. Vieira diz que não sabia que era do Robinho e promete liberá-la.

Nesta quinta-feira, a juíza da 88ª Zona Eleitoral, Cláudia Inês Maestri Meyer, rejeitou recurso do MPE que pedia o imediato afastamento dos vereadores dos cargos. Com a decisão, fica assegurada a permanência deles na Câmara até o julgamento final dos recursos.Entre os materiais que chegaram aos promotores eleitorais Monika Pabst e Odair Tramontin, há gravações em áudio, sinopses de telefonemas e fotografias obtidas em diligências do Gaeco. No entanto, toda essa documentação permanece sob segredo de Justiça. Por isso, nem mesmo a sentença do juiz substituto da 88ª Zona Eleitoral, Ricardo Rafael dos Santos, de 31 de janeiro, foi divulgada.A denúncia dos promotores eleitorais tem origem em quatro meses de interceptações telefônicas feitas com autorização da Justiça pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A ação culminou na operação Tapete Negro, em dezembro de 2012, que cumpriu 37 mandados de busca e apreensão em residências e órgãos municipais. Ainda em 2012, com autorização do desembargador do Tribunal de Justiça Roberto Lucas Pacheco, indícios de crimes eleitorais colhidos pela Tapete Negro foram encaminhados ao MPE, em Blumenau, gerando o processo de cassação.Compra de votos, interferência política para pavimentação de ruas com fins eleitorais e uso de servidor público para campanha em horário de expediente. Estas são algumas das condutas irregulares apontadas pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) para pedir a cassação dos vereadores Célio Dias (PR), Fábio Fiedler (PSD) e Robinsom Soares, o Robinho (PSD), e dos suplentes Almir Vieira (PSD) e Braz Roncáglio (PR). Em primeira instância, a Justiça Eleitoral decidiu, semana passada, que há indícios suficientes para condenar os cinco. Todos vão recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).


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